Com frequência, estudantes que elaboram textos acadêmicos se deparam com um dilema: fazer muitas citações ao longo do trabalho – para demonstrar conhecimento do tema e erudição – ou usar poucas citações diretas, com o objetivo de produzir conhecimento que não seja parafraseado de outros autores?
A preocupação é legítima e trata sobre uma questão fundamental à Ciência: vale mais a necessidade de dialogar com outros autores ou a produção ‘autoral e inédita’ é a verdadeira força-motriz do fazer científico?
Sem a pretensão de fechar a discussão, a Equipe ProNormas acredita que essa problemática pode ser bem trabalhada quando se tem em mente o bom senso, a ética, a humildade, além da contínua prática científica.
O conhecimento, seja ele qual for, não começa e não termina em nenhum autor. Não existe um discurso autofundado (Maingueneau, 1997).
Dizer é situar-se sempre em relação a um já dito ou, como afirma Foucault (2005, p. 26), “todo o discurso manifesto repousaria secretamente sobre um já-dito. Um livro, por exemplo, além de sua configuração interna e a forma que o autonomiza, está preso em um sistema de remissões a outros livros, outros textos, outras frases”.
O que fica claro é que estamos encarando um problema com os seguintes extremos: de um lado, quando o recurso da citação é muito utilizado, pode trazer como consequência um texto pobre, que faz uso de considerações de autores diversos com o objetivo de demonstrar erudição, de mostrar aos pares um conhecimento enciclopédico.
Do outro lado, o trabalho acadêmico que utiliza poucas citações com relação a outros pesquisadores pode demonstrar arrogância, bem como um descompromisso com a socialização do conhecimento científico, além de desrespeito aos autores que foram desconsiderados.
Com o objetivo de encontrar um equilíbrio entre esses dois extremos, a Equipe ProNormas sugere que o bom senso, a humildade e a ética sejam percebidas durante a sua produção acadêmica. Cite o que for necessário para apoiar o seu texto, seja produtivo. Descarte os excessos improdutivos. A ‘cereja do bolo’ não está no enciclopedismo, tampouco na produção autoral única, e sim em algum ponto no meio do caminho.
Referências:
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
MAINGUENEAU, Dominique. Novas tendências em Análise do Discurso. São Paulo: Pontes, 1997.


