Diplomática e Diplomacia: qual a diferença?

Diplomatica_2010

Imagem de original "re diplomatica", terminologia que originou "diplomática"

O fato é que existe uma certa dúvida com relação ao significado e forma de utilização dos termos DIPLOMÁTICA e DIPLOMACIA, principalmente por alunos e alunas que estudam nas áreas de Biblioteconomia, História, Secretariado e Arquivologia.

Assim, este post vai em sua atenção.

DIPLOMÁTICA x DIPLOMACIA.
Parece que existe um acordo com relação à questão etimológica dos termos. Ambos viriam da mesma raíz etimológica grega diploo, verbo que significa “eu dobro”, que por sua vez originou o termo “diploma” (que signfica dobrado). Por quê?
Isso porque, conforme sugere Rondinelli (2004, p. 42), “na Antiguidade clássica esse termo se referia a documentos escritos em duas tábuas, unidas por uma dobradiça, chamados “dípticos”. Já no Império romano, a palavra diploma se referia a documentos emitidos pelo Imperador ou pelo Senado”.
Assim, diploma, em tempos pretéritos, dizia respeito aos documentos produzidos por autoridades soberanas e de forma solene.

Duranti (1998, p. 35), uma professora canadense e referência de leitura obrigatória  às pessoas interessadas em História da Documentação e Arquivologia, sugere que “diplomática vem de uma adaptação, do latim, do termo “res diplomatica“, que se refere à análise crítica das formas textuais de um diploma (documento produzido solenemente por uma autoridade legal)”.
Já o termo diplomacia viria do francês “diplomatie”, que se referiria à arte de conduzir negociações internacionais” (ligado, por exemplo, à carreira de Relações Internacionais ou Diplomatas do Instituto Rio Branco).

A complicação não diz respeito à questão etimológica, mas às práticas que provêm de um processo histórico iniciado, possivelmente, por volta do Século XVIII. A diplomacia tem seu processo histórico identificado como uma prática social de negociação entre soberanos e nações, além da produção de documentos (por exemplo: acordos bilaterais, tratados).
Por sua vez, a diplomática ocorre em conjunto com a paleografia e a sigilografia dentro de processo histórico em que muitos documentos solenes e oficiais estavam sendo falsificados ou adulterados, principalmente dentro das ordens religiosas (beneditinos, jesuitas, dominicanos). Essas, hoje chamadas disciplinas ou matérias, seriam técnicas de verificação da autenticidade e da legitimiação dos conteúdos dos documentos.
Segundo Rondinelli (2004, p. 43), “em 1681, o monge beneditino Jean Mabillon, respondendo a acusações, publicou um tratado denominado De re diplomatica libri VI, o qual marcaria o “nascimento” da diplomática e da paleografia”.

REFERÊNCIAS:
DURANTI, Luciana. Diplomatics: new uses for an old science. Society of American Archivists. Maryland, 1998.
RONDINELLI, Rosely Curi. Gerenciamento arquivístico de documentos eletrônicos. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2004.

Ofícios vis

Sérgio Buarque de Holanda

Sérgio Buarque de Holanda

Ainda quando se punham a legiferar ou a cuidar de organizações e coisas práticas, os nossos homens de idéias eram, em geral, puros homens de palavras e livros; não saíam de si mesmos, de seus sonhos e imaginações. [...] Mas há outros traços por onde nossa intelectualidade ainda revela sua missão nitidamente conservadora e senhorial. Um deles é a presunção, ainda em nossos dias tão generalizada, de que o verdadeiro talento há de ser espontâneo, de nascença, como a verdadeira nobreza, pois os trabalhos e o estudo acurado podem conduzir ao saber, mas assemelham-se, por sua monotonia e reiteração, aos ofícios vis que degradam os homens.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 2003. p.163-164.

Bolsistas Capes/Cnpq poderão acumular bolsas com atividades remuneradas

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Finalmente, bolsistas poderão acumular com outra renda. Parabéns pela decisão:

portaria conjunta, entre a Capes/MEC e o CNPq/MCT, permite aos bolsistas dessas agências matriculados em programas de pós-graduação no país receberem complementação financeira proveniente de outras fontes. A partir de agora, os bolsistas poderão exercer atividade remunerada, especialmente quando se tratar de docência como professores nos ensinos de qualquer grau.

Para receber complementação financeira ou atuar como docente, o bolsista deve obter autorização, concedida pelo seu orientador, e devidamente informada à coordenação do curso ou programa de pós-graduação em que estiver matriculado e registrada no Cadastro Discente da Capes.

No caso de comprovado desrespeito às condições estabelecidas na Portaria, o bolsista será obrigado a devolver a Capes ou CNPq os valores recebidos a título de bolsa, corrigidos conforme legislação vigente. Além disso, a concessão prevista na portaria não exime o bolsista de cumprir com suas obrigações junto ao curso de pós-graduação e à agência de fomento concedente da bolsa, inclusive quanto ao prazo de sua vigência.

Veja a Portaria publicada no Diário Oficial da União

Leia aqui entrevista que esclarece possíveis ambiguidades dessa Portaria.

Referência:
http://www.cnpq.br/saladeimprensa/noticias/2010/0716.htm

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia/2010

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Organizado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a 7ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT 2010) será de 18 a 24 de outubro, em mais de 500 municípios brasileiros, com o tema central: “A Ciência para o Desenvolvimento Sustentável”.

O objetivo da SNCT é mobilizar a população, principalmente crianças e jovens, em torno de temas e atividades de Ciência e Tecnologia. As atividades são gratuitas e promovidas por universidades, instituições de pesquisa, parques ambientais, zoológicos, museus, jardins botânicos e Organizações Não Governamentais (ONGs). Tendas de ciência em praças públicas, palestras, excursões científicas e feiras fazem parte da programação.

De certo, este tipo de evento consegue, nas escalas local, regional e nacional aproximar, desde universitários até alunos do ensino fundamental, às práticas científicas, suas histórias e suas tendências. É um compromisso de difusão do conhecimento científico para um amplo público, para além dos muros escolásticos.

O ProNomas tem o orgulho de enaltecer este tipo de atividade e divulgá-lo.

Parabéns.

Leitura: “O Quadrante de Pasteur”

QuadrantePasteur_2010

Esta obra é recomendada como leitura para todas as pessoas interessadas em aspectos relacionados com a História da Ciência e Tecnologia, História das Ideias ou da Intelectualidade, Políticas Públicas de Ciência e Tecnologia, além de Percepção Pública de CeT, Divulgação Científica e, por fim, mas não menos importante, a relação entre política, economia e ciência.

Traduzido em 2005, para o Português, é leitura prazerosa, simples e didática para todos e todas que estão, em certa medida, envolvidos com a “elaboração de agendas de pesquisa, criação de quadros institucionais para a pesquisa e o direcionamento do apoio à pesquisa” (STOKES, 2005, p. 8).

Referência:

STOKES, Donald E. O quadrante de Pasteur: a ciência básica e a inovação tecnológica. São Paulo: Ed. da UNICAMP, 2005.