
Imagem de original "re diplomatica", terminologia que originou "diplomática"
O fato é que existe uma certa dúvida com relação ao significado e forma de utilização dos termos DIPLOMÁTICA e DIPLOMACIA, principalmente por alunos e alunas que estudam nas áreas de Biblioteconomia, História, Secretariado e Arquivologia.
Assim, este post vai em sua atenção.
DIPLOMÁTICA x DIPLOMACIA.
Parece que existe um acordo com relação à questão etimológica dos termos. Ambos viriam da mesma raíz etimológica grega diploo, verbo que significa “eu dobro”, que por sua vez originou o termo “diploma” (que signfica dobrado). Por quê?
Isso porque, conforme sugere Rondinelli (2004, p. 42), “na Antiguidade clássica esse termo se referia a documentos escritos em duas tábuas, unidas por uma dobradiça, chamados “dípticos”. Já no Império romano, a palavra diploma se referia a documentos emitidos pelo Imperador ou pelo Senado”.
Assim, diploma, em tempos pretéritos, dizia respeito aos documentos produzidos por autoridades soberanas e de forma solene.
Duranti (1998, p. 35), uma professora canadense e referência de leitura obrigatória às pessoas interessadas em História da Documentação e Arquivologia, sugere que “diplomática vem de uma adaptação, do latim, do termo “res diplomatica“, que se refere à análise crítica das formas textuais de um diploma (documento produzido solenemente por uma autoridade legal)”.
Já o termo diplomacia viria do francês “diplomatie”, que se referiria à arte de conduzir negociações internacionais” (ligado, por exemplo, à carreira de Relações Internacionais ou Diplomatas do Instituto Rio Branco).
A complicação não diz respeito à questão etimológica, mas às práticas que provêm de um processo histórico iniciado, possivelmente, por volta do Século XVIII. A diplomacia tem seu processo histórico identificado como uma prática social de negociação entre soberanos e nações, além da produção de documentos (por exemplo: acordos bilaterais, tratados).
Por sua vez, a diplomática ocorre em conjunto com a paleografia e a sigilografia dentro de processo histórico em que muitos documentos solenes e oficiais estavam sendo falsificados ou adulterados, principalmente dentro das ordens religiosas (beneditinos, jesuitas, dominicanos). Essas, hoje chamadas disciplinas ou matérias, seriam técnicas de verificação da autenticidade e da legitimiação dos conteúdos dos documentos.
Segundo Rondinelli (2004, p. 43), “em 1681, o monge beneditino Jean Mabillon, respondendo a acusações, publicou um tratado denominado De re diplomatica libri VI, o qual marcaria o “nascimento” da diplomática e da paleografia”.
REFERÊNCIAS:
DURANTI, Luciana. Diplomatics: new uses for an old science. Society of American Archivists. Maryland, 1998.
RONDINELLI, Rosely Curi. Gerenciamento arquivístico de documentos eletrônicos. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2004.






